jun 07

Dourados – MS, 03 de Outubro de 2009 (Sábado).

Eu, aflito e angustiado como nunca havia ficado, em um momento que Jesus me lapidava distante de minha família que eram meus únicos amigos e refugio. Acordei com um aperto muito forte no coração, e como eu já sabia que existia uma casa da toca em Dourados, parecia que Jesus me falava, "você sabe onde me encontrar, levanta!". Levantei, me vesti e sai sem saber nem mesmo que horas eram. Avistando a casa pude sentir que realmente Jesus me queria aqui. Somente Jesus me conhecia nesta casa, fiquei por volta de três ou quatro minutos rodeando o portão, com vontade mas sem coragem para entrar, foi quando o primeiro anjo apareceu com vestis marrom (Silvana), e com um sorriso lindo me acolheu dizendo um simples "oi", eu perguntei se o Santíssimo estava exposto, ela respondeu que não sabia mas que eu podia entrar, a partir dai percebi que Jesus realmente havia me levado até ali. Entrando no terreno da casa, procurei pela capela, andando, um dos irmãos acolhidos chamou minha atenção apontando para capela, voltando meu olhar para o local indicado, vi o Santíssimo Sacramento vestido de ostensório, brilhando, sorrindo e me abraçando. Neste momento só conseguia ver Jesus, eu não queria saber de mais nada, apenas me entreguei. Com o olhar fixo no Santíssimo, parecia que minha vida passava entre mim e o Senhor, então pude ver o quanto era miserável e o quanto fui infiel ao meu Senhor, vi também que quem me segurou o tempo todo foi Ele. Jesus me trouxe em um lugar onde sou apenas o Maicon, onde não coordena nada, onde não canta em nenhum ministério de musica ou banda, onde não é filho de ninguém ou irmão de alguém, onde eu não era referencia para ninguém. Saindo da capela após alguns minutos, eu ainda gostaria de falar com alguém, pedir oração, mas foi em uma ótima conversa com outro anjo (Larissa) que estava adorando no momento que eu estava na capela que me confortou e me deu animo para mais um dia. Ao passar dos dias fui conhecendo outros anjos, que me ajudaram a estar mais próximo do céu. Obrigado por permitirem fazer parte desta família por alguns instantes, obrigado por me ajudarem a dar mais um passo importante na santidade. Maicon Tropiano.

mai 25

A Arte Precisa da Igreja?

Portanto, a Igreja tem necessidade da arte. Pode-se dizer também que a arte precisa da Igreja? A pergunta pode parecer provocatória. Mas, se for compreendida no seu recto sentido, obedece a uma motivação legítima e profunda. Na realidade, o artista vive sempre à procura do sentido mais íntimo das coisas; toda a sua preocupação é conseguir exprimir o mundo do inefável. Como não ver então a grande fonte de inspiração que pode ser, para ele, esta espécie de pátria da alma que é a religião? Não é porventura no âmbito religioso que se colocam as questões pessoais mais importantes e se procuram as respostas existenciais definitivas? De facto, o tema religioso é dos mais tratados pelos artistas de cada época. A Igreja tem feito sempre apelo às suas capacidades criativas, para interpretar a mensagem evangélica e a sua aplicação à vida concreta da comunidade cristã. Esta colaboração tem sido fonte de mútuo enriquecimento espiritual. Em última instância, dela tirou vantagem a compreensão do homem, da sua imagem autêntica, da sua verdade. Sobressaiu também o laço peculiar que existe entre a arte e a revelação cristã. Isto não quer dizer que o génio humano não tenha encontrado estímulos também noutros contextos religiosos; basta recordar a arte antiga, sobretudo grega e romana, e a arte ainda florescente das vetustas civilizações do Oriente. A verdade é que o cristianismo, em virtude do dogma central da encarnação do Verbo de Deus, oferece ao artista um horizonte particularmente rico de motivos de inspiração. Que grande empobrecimento seria para a arte o abandono desse manancial inexaurível que é o Evangelho!

Papa João Paulo II.

mai 25

 

CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II AOS ARTISTAS 1999

A todos aqueles que apaixonadamente
procuram novas « epifanias » da beleza
para oferecê-las ao mundo
como criação artística.

« Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa » (Gn 1,31).


O artista, imagem de Deus Criador

Ninguém melhor do que vós, artistas, construtores geniais de beleza, pode intuir algo daquele pathos com que Deus, na aurora da criação, contemplou a obra das suas mãos. Infinitas vezes se espelhou um relance daquele sentimento no olhar com que vós — como, aliás, os artistas de todos os tempos —, maravilhados com o arcano poder dos sons e das palavras, das cores e das formas, vos pusestes a admirar a obra nascida do vosso génio artístico, quase sentindo o eco daquele mistério da criação a que Deus, único criador de todas as coisas, de algum modo vos quis associar.

Pareceu-me, por isso, que não havia palavras mais apropriadas do que as do livro do Génesis para começar esta minha Carta para vós, a quem me sinto ligado por experiências dos meus tempos passados e que marcaram indelevelmente a minha vida. Ao escrever-vos, desejo dar continuidade àquele fecundo diálogo da Igreja com os artistas que, em dois mil anos de história, nunca se interrompeu e se prevê ainda rico de futuro no limiar do terceiro milénio.

Na realidade, não se trata de um diálogo ditado apenas por circunstâncias históricas ou motivos utilitários, mas radicado na própria essência tanto da experiência religiosa como da criação artística. A página inicial da Bíblia apresenta-nos Deus quase como o modelo exemplar de toda a pessoa que produz uma obra: no artífice, reflecte-se a sua imagem de Criador. Esta relação é claramente evidenciada na língua polaca, com a semelhança lexical das palavras stwórca (criador) e twórca (artífice).

Qual é a diferença entre « criador » e « artífice »? Quem cria dá o próprio ser, tira algo do nada — ex nihilo sui et subiecti, como se costuma dizer em latim — e isto, em sentido estrito, é um modo de proceder exclusivo do Omnipotente. O artífice, ao contrário, utiliza algo já existente, a que dá forma e significado. Este modo de agir é peculiar do homem enquanto imagem de Deus. Com efeito, depois de ter afirmado que Deus criou o homem e a mulher « à sua imagem » (cf. Gn 1,27), a Bíblia acrescenta que Ele confiou-lhes a tarefa de dominarem a terra (cf. Gn 1,28). Foi no último dia da criação (cf. Gn 1,28-31). Nos dias anteriores, como que marcando o ritmo da evolução cósmica, Javé tinha criado o universo. No final, criou o homem, o fruto mais nobre do seu projecto, a quem submeteu o mundo visível como um campo imenso onde exprimir a sua capacidade inventiva.

Por conseguinte, Deus chamou o homem à existência, dando-lhe a tarefa de ser artífice. Na « criação artística », mais do que em qualquer outra actividade, o homem revela-se como « imagem de Deus », e realiza aquela tarefa, em primeiro lugar plasmando a « matéria » estupenda da sua humanidade e depois exercendo um domínio criativo sobre o universo que o circunda. Com amorosa condescendência, o Artista divino transmite uma centelha da sua sabedoria transcendente ao artista humano, chamando-o a partilhar do seu poder criador. Obviamente é uma participação, que deixa intacta a infinita distância entre o Criador e a criatura, como sublinhava o Cardeal Nicolau Cusano: « A arte criativa, que a alma tem a sorte de albergar, não se identifica com aquela arte por essência que é própria de Deus, mas constitui apenas comunicação e participação dela ».

Por isso, quanto mais consciente está o artista do « dom » que possui, tanto mais se sente impelido a olhar para si mesmo e para a criação inteira com olhos capazes de contemplar e agradecer, elevando a Deus o seu hino de louvor. Só assim é que ele pode compreender-se profundamente a si mesmo e à sua vocação e missão.

Papa João Paulo II.